O Ferro, a Madeira, a Argila.
Os materiais básicos, brutos, o nada.
A natureza crua, a matéria-prima. Trabalhar o ferro, transformar a suca-ta: obter arte. Do bruto ao suave, da força à leveza, da imponência à calma. Partir do inanimado e chegar ao movi-mento puro. Este é o trabalho do artis-ta plástico Marco Antônio Ferreira. O ferro já presente no nome. O olhar que vê um monte de sucata e sorri. Quantas formas devem estar presentes ali, esperando ser resgatadas. Para quem já desenhava "esculturas", a príncipio com lápis, nanquim, aerogra-fias e aquarelas, foi um prazer descobrir as possibilidades do tridimensional.
A escultura.

 
 
"Meu trabalho é a abstração das formas, que me deixa livre para a interação com o íntimo. Centralizando e focando as
imagens que nos permeiam. São tantas as imagens que envolvem o pensar, o olhar, o imaginário. Infinito campo."
 

 

E a escultura tomou conta de tudo. As formas aparecendo como movimentos rápidos. "Logo preciso fazer". A febre que vem com a descoberta do caminho. Marco passou de um material a outro, até chegar no ferro, como matéria principal de suas obras, mas sem deixar de usar a madeira e a argila.
"Comecei a usar barro e argila, mas senti que precisava de algo mais forte. Logo estava visitando ferros-velhos, oficinas e sucatas industriais"
Para o artista, estar sempre receptivo, ligado ao que passa pelos olhos, ao abstrato na vida cotidiana, é o ponto principal. Por isso também a música está sempre presente enquanto ele trabalha sobre qualquer de suas obras.

 
 
"Através da música há a possibilidade de ver o que está dentro de si. Como uma passagem onírica."